segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Midríase.

- Põe, põe mais um na mesa de jantar, que hoje eu vou prai te ver e tira o som dessa T.V, pra gente conversar!

"Eu te vejo dançando na calçada todo fim de semana, te vejo pulando descalça."

Com as mãos atadas, ele não tinha mais nada o que fazer, aceitar o destino era o seu destino.
Nada que ele pudesse fazer ou falar, poderia mudar a situação em que se meteu. Se meteu em vários becos, metade deles sem saída, roubou ferraris, matou bandidos, fumou ópio alegando que era "medicinal" e ainda por cima tinha que ouvir a mãe chamar de marginal.


Enquanto o sangue frio corria em suas veias, ela deitada de pernas pra cima no sofá da sala com Dark Side of The Moon no volume máximo. A fumaça do cigarro dele era branca e densa, era erva boliviana. Os braços se enroscavam feito duas cobras em copula intensa. O amplificador da guitarra ainda ligado, a tatuagem recém feita no peito sangrava pouco, o cheiro dos cabelos dela "bem cheirados" pelo olfato canino. Era como se Bob tivesse encontrado Joan.

"E nessa dança de passos descompassados, quem vai dizer que eu não sei rodar? Quem vai dizer que no tango eu não posso sambar?"

Um vício casual, um fio de metal, tudo aquilo que se pode ver. 

- É, morena, tá tudo bem.. Sereno é quem tem, a paz de estar em par com Deus.

- É, moreno, tá tudo bem.. Saudade é pra quem tem, vontade.. É.

- Então, se puder, vem, que eu to na rede do quintal.. Esperando por ti, meu bem.

- Tô no metrô, esquenta a água do café, que quando eu chegar.. tem.

E no final, restaram-se confetes velhos de carnaval, fotos de um muito bonito casal e saudades gastas daquele Landau. E o final? 
A Midríase nos olhos dela foi o que me fez ficar. Ou talvez tenha sido o perfume no ar. 

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