segunda-feira, 15 de abril de 2013

Maresia.



Era meio-dia em ponto, sentado à mesa do almoço, eu tomava meu café da manhã, numa xícara velha e meio suja. Alguém abrira a janela, fazendo assim o sol entrar na minha sala e me trazer um calor que era aparentemente dispensável. Eu queria sentir algo novo naquele dia, algo desconhecido, mas era uma segunda-feira comum, entediante e monótona.

Eu quero menos preocupações, mais tempo livre. Quero deixar a barba crescer, morar à beira da praia, com uma mulher de vestido florido e cachorros correndo. Com o passar do tempo, eu vou entendendo que a vida tem certas peculiaridades, um gosto diferente de tudo que se pode provar.
Eu gosto de olhar pro chão, eu gosto de olhar pro céu, eu gosto de ver o tempo passar, eu gosto de o tempo, gastar.

Em outros dias, em tempos atrás, eu me vi tão perdido num mundo que você criou. Agora eu já não sei mais, se tanto faz, ser culpado ou ser capaz. Eu sabia, como quem tem a certeza de que o céu iria escurecer a noite, que eu não teria noticias suas, que eu não ouviria sua voz por um bom tempo, que eu não sentiria as batidas do teu coração tão cedo. Mas, ora.. quem inventou esse negocio de distancia? Se eu pular no mar daqui, eu vou bater no mar dai, cheirando a mesma maresia. Só me falta folego e energia pra chegar. E louco sou, porque iria mesmo se não soubesse nadar.

Estranho esse negocio de sentir saudades do que nunca foi seu. Estranho sentir esse negocio por alguém que nunca se viveu. Estranho é sentir aqui, esse cheiro teu. Será que sentes fome, será que sentes frio? Eu me pergunto tantas coisas com a inocência de uma criança que ás vezes não sabe o que fala. Mas é que, isso que eu sinto não é normal, aliás, o que é normal? O que que vai contra as leis da natureza, se muitas delas, eu nem sei quais são. Ultimamente ao ouvir teu nome tudo que sinto é aperto no coração. Será que já tá perto de você voltar? será que, de mim, você (ainda) vai gostar?

"Eu só queria, tomar um vento na cara, me deu saudades da Bahia..
Eu só queria, passar um tempo lá em casa.. Me deu saudades da Bahia."

Vou sentar na rede e te compor um som, mandar uma k7 desse meu velho gravador num envelope azul, quem sabe eu não receba de volta um postal? Queria que você me ouvisse tocar, não sou nenhum Caetano ou Jobim, mas tenho algumas coisas pra te dedicar.. Do alto de uma montanha, ou do fundo desse mar, da cor de coisa mais branca que a tua pele, do calor de coisa mais quente que teu coração, nem acordes, nem fitas, nem arranjo, nem tons..

Eu quero um abraçaço, eu quero é te ouvir dizer que vai ficar, eu quero mãos, braços, cheiros, beijos e amassos. Pernas de baixo do cobertor, roupas no chão, sorrisos de nariz com nariz, eu quero mostrar ao mundo o quanto eu sou feliz. Quero lamber esse sal de maresia na tua pele, quero rolar nas areias da praia do japão, quero me embriagar com teu cheiro, quero me desligar do mundo e amancebar teu corpo no meu.
Quero dançar numa gira te olhando sem parar, quero me deitar ao teu lado e só tua respiração ao meu ouvido escutar, eu quero pele na pele, boca na boca, toque no toque, eu quero tudo! Muito do que eu não posso ter. 

Eu só quero é achar um jeito de te dizer, que eu quero você. Sem medo de morrer na praia depois de beber o mar, mas medo.. Que dá medo do medo que dá.

6 comentários:

  1. Estava eu pensando, sorte dessa garota que tem um escritor tão apaixonado e dedicado assim, espero que ela saiba da sua existência, pq seus textos são muito bons, parabéns cara!

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  2. Verdade. Ela sabe da sua existência?

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  3. Hahahaha o que leva vocês a pensarem que essa garota realmente existe? Que não é só uma ilusão minha, ou uma vontade?

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  4. tenho é pena dela.

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    1. Santa babaquice, quantas causas mais importantes pra se falarem e esses dois....

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